quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Obras de Segall
A família de Lasar Segall tem em seu acervo mais de 3.119 trabalhos originais do artista. e com isso hoje existe museus que compartilham de suas obras, assim como à um museu com seu nome que abrange varias obras de e momentos históricos do artista.
No museu há 35 pinturas a óleo, sendo 29 sobre tela, e 2 sobre papelão. 48 pinturas sobre papel, entre aquarelas e guaches. 404 gravuras, entre xilogravuras, gravuras em metal e litografias, correspondentes a 221 imagens diferentes. 2562 desenhos, nas mais variadas técnicas (grafite, crayon, tintas diversas, carvão e outras), incluindo projetos para cenários e figurinos. 70 esculturas, sendo 37 bronzes e 33 trabalhos em materiais diversos, como gesso, mármore, terracota, pedra-sabão e cimento.
Algumas de suas obras:
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| Emigrantes |
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| Homem com violino |
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| Retrato de Mario de Andrade |
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| Mãe Morta |
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| Família Enferma |
Mais informações sobre as obras de Lasar Segall acesse: http://www.museusegall.org.br/index.asp
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Biografia de Lasar Segall
Lasar Segall nasceu em 21 de julho de 1891, na comunidade judaica de Vilna, capital da Lituânia, na época sob domínio da Rússia czarista.
Seu pai era escriba da Torá, lei judaica contida nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, cujo texto, manuscrito em pergaminho, é utilizado em cerimônias religiosas nas sinagogas.
Desde cedo teve interesse pelo desenho. Iniciou seus estudos em 1905, quando entrou para a Academia de Desenho de Vilna, sua cidade natal. na qual predominam tendências ligadas aos movimentos impressionista e pós-impressionista.
No ano seguinte, mudou-se para Berlim, passando a estudar na Academia Imperial de Berlim, durante cinco anos.
No quadro Sem Pai, 1909 as pinceladas livres lembram o impressionismo, porém a obra tem uma atmosfera sombria, reforçada pelos tons escuros da paleta e destaca-se pela caracterização social e psicológica dos personagens.
Em 1910 Deixa a Academia de Berlim. No final do ano transfere-se para Dresden, onde frequenta a Academia de Belas Artes, como aluno-mestre, com ateliê próprio e maior liberdade de criação.
No final de 1912, Lasar Segall veio ao Brasil, encontrando-se com seus irmãos, que moravam aqui. Realizou suas primeiras exposições individuais em São Paulo e em Campinas, em 1913. Mas regressou à Europa, casando-se, em 1918, com Margarete Quarks.
Passa a adotar tons mais claros, embora permaneça a tendência ao mono-cromatismo, característica de toda a sua produção, como, por exemplo, em Leitura, 1914.
Revela admiração pela obra de Paul Cézanne, principalmente pelo aspecto construtivo da pincelada, como podemos observar em Violinista, 1912. Vai à Holanda em 1912. Em Amsterdã desenha tipos humanos no asilo de velhos.
Em março de 1913, fez exposição individual num salão em São Paulo, com apoio do senador José de Freitas Valle. Mostra trabalhos de transição entre o impressionismo e um estilo pessoal que começava a se afirmar. Em maio, dá aulas de desenho à jovem Jenny Klabin. Em junho, exposição individual no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, que adquire sua pintura Cabeça de menina russa (1908).
A partir de 1914, o artista revela interesse pelo expressionismo, busca uma nova linguagem pictórica e uma caracterização psicológica mais aguda para suas figuras. A pintura de Segall, sob o impacto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), reflete a preocupação com as injustiças sociais e o sofrimento humano. Seus quadros são estruturados por meio de planos construídos em diagonais e apresentam uma tendência à geometrização, com o predomínio de formas triangulares. Segall utiliza cores escuras e contrastantes, como no quadro Aldeia Russa, 1912.
Em 1918, viaja para Vilna, sua cidade natal, fato que marca sua obra, por reforçar a identificação com algumas questões judaicas que se tornam importantes para sua experiência artística. Retorna a Dresden no mesmo ano. Substitui as cores mais vivas de seu primeiro momento expressionista por tons mais sóbrios, obtidos por meio de camadas sucessivas de tinta, em quadros como Kaddisch – Reza para os Mortos, 1918 e Eternos Caminhantes, 1919.
Seus quadros nascem num ambiente artístico marcado pelo cubismo e pela segunda fase do expressionismo alemão, mais aderente a uma aproximação realista da figura, que inclui artistas como George Grosz (1893 – 1959) e Otto Dix (1891 – 1969). Entretanto, em comparação às cores vivas utilizadas por esses artistas, as obras de Segall têm caráter melancólico ou lírico e são trabalhadas em tonalidades sóbrias, com predomínio de ocres, cinza, negros e violetas. A gama cromática alude à tristeza em trabalhos como Pobreza, 1921, no qual a construção em formas angulosas triangulares, utilizada anteriormente, cede lugar a linhas mais arredondadas e a figuras que apresentam uma deformação expressiva, com cabeça e olhos enormes.
Fundou, com um grupo de artistas, o movimento "Secessão de Dresden", em 1919, realizando, a seguir, diversas exposições na Europa.
Segall mudou-se para o Brasil em 1923, dedicando-se, além da pintura, às artes decorativas. Criou a decoração do Baile Futurista, no Automóvel Clube de São Paulo, e os murais para o Pavilhão de Arte Moderna de Olívia Guedes Penteado.
Nos primeiros trabalhos realizados no país, revela um deslumbramento pela luz e pelas cores tropicais. Sensibiliza-se não apenas com a paisagem mas também com o ambiente artístico brasileiro: sua produção mantém diálogo com obras de Tarsila do Amaral (1886 – 1973) , e de outros artistas locais. Nos quadros realizados logo após a chegada ao Brasil, a paleta de Segall se transforma. Os temas (mães negras, paisagens, favelas) são pintados em espaços abertos, com cores claras e luminosas. Realiza várias obras nas quais acentua o drama dos marginalizados pela sociedade. São desse período os quadros: Menino com Lagartixas, 1924 e Colina Vermelha, 1926.
Já separado de sua primeira esposa, casou-se em 1925 com Jenny Klabin, com quem teve os filhos Maurício e Oscar. Nessa época, passou a viver com a família em Paris, onde se dedicou também à escultura. Suas obras nessa fase remetem à atmosfera familiar e de intimidade. Em outubro, a família retorna ao Brasil.
Em fevereiro de 1927, morre em São Paulo seu pai Abel Segall. Naturaliza-se brasileiro.
Em dezembro, exposição individual à Rua Barão de Itapetininga, 50, São Paulo.
Residiu em Paris entre 1928 e 1932. Nessa época, produz obras com motivos brasileiros e também utiliza temas recorrentes, como o da emigração. O colorido vibrante de suas telas dá lugar a uma luz mais pálida e mais suave. A experiência com a escultura contagia os tons e a superfície da pintura, as figuras adquirem volumes e aspectos mais escultóricos. As cores tornam-se terrosas, marrons, cinza, ocres, como nos quadros Mãe Negra, 1930 e Casa na Floresta, 1931.
Em 1932, Segall retornou ao Brasil, instalando-se em São Paulo na casa projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik, seu cunhado. Essa casa abriga, atualmente, o Museu Lasar Segall.
Sua produção na década de 1930 incluiu uma série de paisagens de Campos do Jordão e retratos da pintora Luci Citti Ferreira. Em 1938, Segall realizou os figurinos para o balé "Sonho de uma Noite de Verão", encenado no Teatro Municipal de São Paulo.
Uma retrospectiva de sua obra no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, foi realizada em 1943. Nesse mesmo ano, foi publicado um álbum com textos de Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Jorge de Lima.
Em 1942 Ruy Santos produz o filme O artista e a paisagem, sobre a obra de Lasar Segall.
Na década de 1950, a arte de Segall revela mais liberdade plástica, aproximando-se da abstração, por exemplo, em Floresta Crepuscular, 1956. Nessa obra a natureza é a inspiração para os suportes verticais, nos quais se estabelece um sutil estudo de luz e cor.
Em 1951, Segall realizou uma exposição no Museu de Arte de São Paulo. Três anos depois, criou os figurinos e cenários do balé "O Mandarim Maravilhoso".
Em 1952 é publicado o livro Lasar Segall, de Pietro Maria Bardi (Ed. Museu de Arte de São Paulo). Participa do Instituto de Arte Contemporânea, do MASP, como consultor do curso de artes plásticas.
O Museu Nacional de Arte Moderna preparou uma grande retrospectiva de sua obra em 1957, em Paris. Lasar Segall morreu nesse mesmo ano, 02 de agosto, de problemas cardíacos, em sua casa, aos 66 anos.
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